Agronegócio - Termo de cooperação técnica amplia vagas para mão de obra carcerária

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Pioneirismo - A Citropar é parceira da Susipe no processo de reinserção de internos no mercado de trabalho desde 2016, e foi a primeira empresa do ramo do agronegócio a empregar mão de obra carcerária no seu quadro de funcionários.

O superintendente do sistema penitenciário do Pará (Susipe), Michell Durans, assinou na manhã desta sexta-feira (21) um termo de cooperação técnica com o objetivo de executar ações conjuntas, voltadas ao desenvolvimento da produção, distribuição e consumo de frutas cítricas no Pará, com o uso da mão de obra carcerária na fazenda do Grupo Citropar Agropecuária, localizada no município de Capitão Poço, nordeste paraense.

Além do Grupo Citropar, o termo foi assinado com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Estado do Pará (SFA/PA), Instituto Nacional de Metrologia (Inmet) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Segundo o documento, a Susipe é responsável por selecionar custodiados para as atividades no cultivo das frutas, ampliando as ações já desenvolvidas no convênio com a Citropar, além de avaliar os resultados obtidos com a parceria. “Esse termo vem ampliar, instrumentalizar e criar um objeto jurídico dessa relação e trazer outros parceiros, como a própria Sedap e o Instituto de Metrologia, para somar responsabilidades conosco e ampliar o convênio que já existe com a Citropar, para mais vagas de trabalho destinadas aos internos que estão custodiados no regime semiaberto no Centro de Recuperação Regional de Bragança. Inclusive, neste termo de cooperação técnica não foi estipulado um quantitativo, para dar maleabilidade e possibilidade de aumentar o número de postos de trabalho ofertados”, explicou Michell Durans.

O atual secretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, João Carlos Leão Ramos, já integrou a equipe da Susipe em 1998, e conhece as dificuldades do sistema prisional. “Eu sei o quanto era difícil conseguirmos alguma parceria. Era tudo na informalidade, porque ninguém queria ter encarcerados por perto. Este momento representa um processo de evolução no entendimento da sociedade, de ter responsabilidade compartilhada no processo de ressocialização. E isso nos permite, hoje, depois de 20 anos do meu primeiro contato com o sistema prisional, estar aqui assinando um convênio dessa magnitude, onde o Estado e a iniciativa privada oferecem condições para que esses internos tenham uma oportunidade real de transformação através do trabalho. Por isso parabenizo o Michell Durans por essa conquista. Ele tem uma forma de pensar fantástica, e eu queria que ele tivesse mais tempo no sistema penal”, destacou.

O dono da Fazenda Citropar, Júnior Zamperlini, disse que a parceria “é um projeto que dá muito certo. Na nossa experiência com o convênio com a Susipe, percebemos que quem realmente quer mudar de vida, consegue. A nossa intenção é aumentar cada vez mais o número de vagas de trabalho para mão de obra carcerária, tanto que existe outro projeto bem maior, com a assinatura deste termo de cooperação. Nosso sonho é fazer um semiaberto dentro da Citropar, onde os internos poderiam morar na fazenda".

Pioneirismo - A Citropar é parceira da Susipe no processo de reinserção de internos no mercado de trabalho desde 2016, e foi a primeira empresa do ramo do agronegócio a empregar mão de obra carcerária no seu quadro de funcionários. Mais de 50 detentos já trabalharam na fazenda, sendo que cinco terminaram de cumprir a pena e hoje são funcionários contratados.

O trabalho dos detentos é voltado à oficina de manutenção de equipamentos, manejo do palmar, retirada de ervas de passarinho, desbrotagem, adubação manual, plantio e poda dos pés de laranja. Um agente penitenciário da Susipe passa a semana com os internos no alojamento da fazenda e os acompanha no trabalho diário nas lavouras.

Atualmente, o sistema prisional do Pará têm 1.773 internos envolvidos em atividades laborais, entre trabalho interno, externo e convênios firmados com instituições que oferecem vagas de emprego para a população carcerária. Dentre elas, duas são instituições federais, duas instituições estaduais e cinco municipais, além de duas organizações sociais e 14 empresas privadas, que ao todo oferecem 512 vagas para a mão de obra prisional. A taxa de reincidência criminal para pessoas envolvidas nessas atividades é de apenas 9%.

Por Melina Marcelino | Foto: Veloso Júnior (Ascom/ Susipe).