Aulas da modalidade EAD iniciam no PEM I

Versão para impressãoEnviar por e-mailVersão em PDF
Está ação é uma parceria com a Universidade Estácio, que vai promover cursos superiores de EAD para 22 internos no PEM I.
"Quando entrei no presídio, eu era praticamente analfabeto. Nunca tinha frequentado a escola e agora vou sair daqui com curso superior. O estudo é a melhor forma de voltar para a sociedade. Quero me formar em pedagogia, trabalhar ajudando as pessoas e usar a minha história para ajudar jovens a não seguir o caminho do crime. Também quero trabalhar dentro do cárcere aconselhando os internos sobre a possibilidade de mudar por meio da educação", esse foi o relato do reeducando, Maurício Farias Gemaque, que está preso há mais de 11 anos. No cárcere ele foi alfabetizado e terminou o Ensino Médio. Agora vai fazer um curso superior na modalidade Educação a Distância (EAD).
 
Esse é mais um programa de política pública prisional que a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) inaugura com o objetivo de oportunizar educação em nível superior para internos do regime fechado. A cerimônia de inauguração foi realizada nesta terça-feira (13), no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), em Marituba. Está ação é uma parceria com a Universidade Estácio, que vai promover cursos superiores de EAD para 22 internos no PEM I.
 
Fabiana Xavier faz parte da equipe de planejamento e performance operacional da região Norte da Universidade Estácio. Ela explica que a parceria com a Susipe começou em abril e 60 detentos já estão matriculados no ensino intramuros, onde as aulas são realizadas dentro da unidade prisional na modalidade EAD. “A missão da Estácio é educar para transformar e queremos justamente transformar a vida dessas pessoas que não tem oportunidade de estudar aqui fora. A gente acredita que a educação é a base do sucesso. Hoje temos 60 cursos de graduação e graduação tecnológica na modalidade EAD e 148 cursos de pós graduação a disposição dos internos. Na parceria com a Susipe também vamos disponibilizar descontos nas mensalidades, 60% no primeiro semestres e de 50% até o final do curso”, garante Fabiana.
 
Segundo o diretor do PEM I, Jorge Coelho, uma sala de aula foi construída e adaptada com 15 computadores para os internos assistirem as aulas. "São 15 computadores para 22 internos. Formamos duas turmas, uma no período da manhã e outra no período da tarde. São 4 horas diárias de aulas de segunda a sexta-feira. Lembrando que eles vão poder remir pena com o curso, a cada 12 horas de aula é remido um dia de pena", disse o diretor.
 
Os internos contam com o apoio da família para pagar as mensalidades, mas segundo o diretor de reinserção social, Edwilson Nascimento, a ideia também é firmar parcerias com universidades públicas para garantir estudo superior para internos que não tem condições de pagar pelo curso. “Hoje é só o início do programa de ensino. Firmamos a parceria com a Estácio, mas no futuro - visando os internos que não podem pagar e que a família não pode ajudar - queremos trazer um EAD de universidades públicas. Já temos cerca de 60 internos cursando uma graduação EAD nas casas penais da Região Metropolitana de Belém e a tendência é esse número aumentar”, espera o diretor.
 
Durante a cerimônia de inauguração do programa de ensino superior, Edwilson disse aos internos que os cursos EAD no cárcere são importantes porque possibilitam que todos os internos tenham a oportunidade de estudar. “Completando assim o que deve ser o processo de execução penal onde a pessoa presa possa concluir os estudos e ser reinserida na sociedade. Outras casas penais já tem espaço pronto para receber esse tipo de parceria com instituições de ensino superior. Queremos ampliar essas parcerias e atingir unidades do interior também, todos merecem essa nova oportunidade”, afirma Edwilson.
 
 
 
Por: Melina Marcelino / Fotos: Akira Onuma.