Bispo auxiliar de Belém define serviços de saúde para detentas

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A visita do religioso faz parte da Campanha da Fraternidade deste ano, que traz como tema “Fraternidade e superação da violência”

“A ressocialização é o principal caminho para retirar as pessoas privadas de liberdade de uma vida violenta, e trazê-las de volta ao convívio da sociedade com um novo propósito. Esse é um processo diário que precisa ser feito dentro das penitenciárias de todo o Brasil”, enfatizou Dom Antônio Assis Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém, que nesta quinta-feira (29) foi ao Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), conhecer as instalações e se reunir com a diretora da unidade, Carmem Botelho, para definir as ações de saúde que serão oferecidas às detentas nos próximos meses. Dom Antônio também conversou com as internas sobre o trabalho desenvolvido pela Pastoral Carcerária.

A visita do religioso faz parte da Campanha da Fraternidade deste ano, que traz como tema “Fraternidade e superação da violência”, tendo como objetivo geral a construção da fraternidade, por meio da promoção da cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

“Nossa primeira intenção é acompanhar as detentas com seus anseios, suas angústias e dores. Para nós, alimentar a fé significa ir ao encontro da dignidade da pessoa que está em uma situação de detenção. Por isso queremos trazer médicos, dentistas, assistentes sociais e psicólogas para conversar e atender as internas, além de formar um grupo com algumas delas com o objetivo de levar a palavra de Deus para todas as detentas aqui custodiadas”, informou Dom Antônio, que visitou a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde são atendidas mensalmente mais de 160 detentas, dos regimes fechado e semiaberto.

Além de atendimento médico, a UBS oferece serviços de psicologia, odontologia, nutrição, enfermaria, ambulatório, farmácia, serviço social e terapia ocupacional, com uma equipe de 19 profissionais.  O arcebispo auxiliar também conheceu o Jardim Renascer, resultado de um projeto pioneiro no Brasil, um ambiente concebido para abrigar os diversos projetos mantidos pela Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), incluindo os voltados à profissionalização das internas.

A dentista Ana Lúcia das Dores foi convidada por Dom Antônio para iniciar um trabalho voluntário na unidade prisional. Em sua primeira visita a um local de detenção, Ana Lúcia das Dores ressaltou que sua visão de um presídio “era completamente diferente. Fico feliz pelo convite de estar aqui hoje, participando do trabalho que Dom Antônio pretende fazer. Eu vim para ver de que maneira posso prestar meus serviços voluntariamente na unidade, e soube que as internas têm o sonho de ter um sorriso mais bonito. Então, vamos ver a possibilidade de trazer as próteses para elas”. 

Assistência religiosa - A Lei de Execução Penal assegura a todos os detentos do sistema penitenciário a assistência material, de saúde, jurídica, educacional, social e religiosa. A prestação de assistência religiosa ocorre nas 46 unidades prisionais do Estado, sendo uma das medidas de ressocialização oferecidas aos detentos.

No Pará, cada grupo religioso tem o direito de fazer, uma vez por semana, durante uma hora, um encontro com os detentos para a celebração de cultos ou missas. A maioria dos grupos que fazem celebrações nas unidades penais é formada por integrantes das igrejas católica e evangélica. No CRF, a detenta Leilane Sales é católica, e desde que entrou no Centro de Recuperação participa das reuniões com a Pastoral Carcerária. Ela foi escolhida para ser a evangelizadora da unidade. 

“Eu vim de uma família onde todos são católicos, mas não era muito praticante. Fui me aproximar mais de Deus estando aqui. Quando a Pastoral me convidou para ser evangelizadora eu fiquei muito feliz e aceitei. Desde então comecei a estudar, e tudo o que aprendo levo para as outras internas. Isso é uma maneira de trazer paz para o ambiente em que estamos e até para melhorar a convivência entre a gente. A palavra de Deus serve também para a gente acreditar que vai sair daqui e levar uma vida diferente lá fora”, disse Leilane Sales.

Para o diácono Ademir Silva, coordenador da Pastoral Carcerária, a religião tem papel fundamental no processo de reinserção social dos detentos. “Nós estamos dentro do cárcere de domingo a domingo, cada dia em uma casa penal diferente, para fazer a partilha do evangelho. Nós não vamos para dentro do presídio com a pretensão de salvar ninguém. Isso quem faz é Jesus. Aqui é feita uma troca de experiências, onde o detento irá servir não só como objeto de transformação, mas também como agente transformador. Aqui no CRF estamos reiniciando o trabalho, pois as internas que faziam esse estudo com a gente já saíram para a liberdade. Agora estamos partilhando o evangelho com outras detentas”, informou o diácono.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe)