Cooperativa de detentas passa a funcionar como microempresa dentro de presídio

Versão para impressãoEnviar por e-mailVersão em PDF
Mais de 250 internas custodiadas pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) já foram beneficiadas pela coooperativa. A Coostafe foi criada em fevereiro de 2014, por portaria interministerial do governo federal.

A Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), que funciona há quase quatro anos dentro do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, está mais próxima de se tornar uma grande empresa. A partir deste mês, através de um convênio firmado com lojistas da cidade, os produtos serão comercializados em um shopping local. Além disso, funcionários serão contratados e também será emitido um número maior de notas fiscais.  

Mais de 250 internas custodiadas pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) já foram beneficiadas pela coooperativa. A detenta Kátia Ferreira, de 38 anos, é uma delas. Kátia está na cooperativa desde a criação e diz que vê um sonho sendo realizado. “Vi isso tudo aqui começar. Assim como vi o progresso da cooperativa, vi o meu também, pois quando entrei aqui eu não sabia fazer nada e hoje já faço produtos que serão comercializados. É muito bom ver que a cada dia estamos melhorando, que as pessoas gostam do que a gente faz”, disse a detenta. 

A diretora do CRF, Carmem Botelho, informou que a Coostafe possibilita uma nova vida as detentas, agora com geração de emprego e renda também para as egressas do sistema penitenciário.

“Estamos no processo de recebimento de currículo das egressas ou detentas do regime semiaberto, que irão trabalhar como vendedoras externas. Essas pessoas que vão entrar irão receber uma capacitação para saber informações sobre os produtos e as técnicas de venda. Esse é um avanço muito positivo, porque quando elas deixam o presídio o mercado não é tão fácil, ainda faltam oportunidades. Então, na cooperativa elas têm a chance de continuar no mercado de trabalho até conseguirem uma garantia formal de emprego e renda. Cinco vendedoras serão contratadas e a nossa expectativa é firmar convênio para vender os produtos delas em todos os atacados da cidade”, informou a diretora.

Para contribuir com o trabalho das detentas dentro da cooperativa, o Instituto Humanitas360, que é uma organização sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos e que apoia abordagens inovadoras para reintegração na sociedade, fez a doação de 12 computadores para o local. Dois deles serão utilizados dentro da Coostafe e os outros 10 serão utilizados para a criação de uma sala de informática dentro do CRF.

Um estagiário de contabilidade foi contratado para ajudar as detentas no processo de emissão de nota fiscal e também cadastrar os produtos comercializados na Coostafe. O estudante Luiz Fernando Quadros foi hoje pela primeira vez conhecer o local em que vai trabalhar. “Vou ensiná-las a emitir notas, fazer cadastro de entrada e saída de produtos e a fazer todo trabalho de gestão. Tenho certeza de que será um aprendizado tanto pra mim, quanto para elas”, disse.

A detenta Leilane Sales, 33 anos, está na cooperativa desde 2016 e diz que não imaginava que um dia podia se tornar uma empresária. “Eu não imaginava que só estando aqui dentro eu teria tanta vontade de crescer, tanto estímulo para vencer na vida, fazer algo que contribuísse para o meu futuro. Nós estamos trabalhando a todo vapor e agora vamos ter que melhorar ainda mais a qualidade dos nossos produtos, pois serão vendidos e lojas e as pessoas não querem qualquer coisa. Meu sonho é algum dia ser uma grande empreendedora, mas hoje eu posso dizer que já estou realizando boa parte dele, pois todas nós aqui somos empresárias”, afirmou Leilane. 

A Coostafe foi criada em fevereiro de 2014, por portaria interministerial do governo federal. O projeto garante acesso ao trabalho e à geração de emprego e renda para as detentas, na economia solidária. As detentas envolvidas no projeto trabalham diariamente na produção de artesanatos, como pelúcias, crochês, vassouras ecológicas, sandálias e bijuterias, entre outros produtos que são comercializados em feiras e praças públicas de Belém e Ananindeua.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).