Detentas do Centro de Recuperação em Ananindeua fazem preventivo do câncer

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Prevenção - O Pará é o terceiro Estado com maior incidência da doença na Região Norte, ficando atrás do Amapá e Amazonas. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão diagnosticados 16.370 casos em 2018 e 2019.

A detenta Adriane da Silva Noronha, 42 anos, descobriu o câncer no colo do útero há cinco anos. Por vergonha de fazer o exame preventivo, ela já descobriu a doença em estágio avançado. “Foram os piores anos da minha vida. Eu cheguei bem perto de morrer, simplesmente porque não ia nomédico e não cuidava da minha saúde. Naquela época, eu achava que nunca ia ter nada, e morria de vergonha de ir ao médico fazer esse exame. Hoje, falo para todas as minhas colegas o quanto é importante elas darem atenção à saúde. É um exame tão rápido e que pode salvar uma vida”, relata Adriane Noronha, cujo alerta abriu a programação especial alusiva ao Dia Internacional da Mulher, destinada às internas custodiadas no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

O evento ocorreu na Unidade Básica de Saúde (UBS), que funciona dentro do centro de detenção, com o objetivo de orientar as presas sobre a prevenção do câncer de colo do útero. As detentas assistiram a palestras com enfermeiras, assistentes sociais e psicólogas da unidade, recebendo orientações sobre prevenção do câncer de colo do útero e a importância do exame Papanicolau, que tem o objetivo de detectar precocemente células cancerosas no colo do útero. O exame deve ser realizado em todas as mulheres de 21 a 65 anos, pelo menos uma vez ao ano.

“Elas assistiram a um vídeo falando sobre a doença, e depois as enfermeiras foram ouvindo os relatos e tirando as principais dúvidas com relação ao exame. Após isso, as detentas fizeram o exame preventivo e o material colhido vai ser enviado a um laboratório da Secretaria de Saúde do Município de Belém (Sesma), para ser feita a análise. Aqui dentro da UBS oferecemos tratamento completo para as internas. Todos os dias são feitos pelo menos 100 atendimentos, com assistentes sociais, psicólogas, enfermeiras, terapeutas ocupacionais, dentista e um médico que realiza consultas semanais”, disse Arlete Nanelas, chefe biopsicossocial da UBS.

Frequência - O câncer de colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV). A infecção genital por este vírus é muito frequente e não causa doença, na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos podem ocorrer alterações celulares, capazes de evoluir para o câncer. Estas alterações das células são descobertas facilmente no exame preventivo, e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso é importante a  realização periódica do exame.

Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão diagnosticados 16.370 casos em 2018 e 2019. Entre os tipos de câncer mais comuns entre as mulheres, o de colo do útero fica em 3º lugar, atrás apenas do câncer de mama (59.700 novos casos/ano) e do câncer de cólon e reto (17.380 novos casos/ano). Mas, no norte do Brasil, o câncer de colo do útero ocupa o primeiro lugar nas causas de morte de mulheres pela doença, estando à frente, inclusive, do câncer de mama.

“A minha mãe faleceu por conta de um câncer de colo do útero, e só foi a partir daí que eu comecei a me preocupar em fazer esse exame, pois antes eu tinha muito receio de ir ao médico e descobrir que tinha alguma coisa. A gente, na verdade, nunca acha que vai acontecer com a gente. A primeira vez que eu fiz apareceu uma mancha. Eu tratei e, na segunda vez, já apareceu uma lesão, que podia ser algo mais sério. Eu continuei o tratamento, e hoje eu já estou bem. Por isso, digo para todas as meninas aqui que é importante fazer também”, disse a detenta Josiane Silva, 30 anos.

Prevenção - O Pará é o terceiro Estado com maior incidência da doença na Região Norte, ficando atrás do Amapá e Amazonas. Para o médico da UBS, Cleison Ribeiro, uma das principais preocupações dentro da unidade é com a prevenção da doença, já que a incidência é grande no Estado. 

“O exame de prevenção é de vital importância para descobrir alguma alteração ou lesão que possa caracterizar câncer. Ainda hoje, muitas mulheres não gostam de fazer esse exame, por conta do método invasivo ou até mesmo vergonha. Percebemos  que realmente falta orientação, para que a mulher possa estar ciente da gravidade que é o câncer de colo uterino, um dos tipos de câncer que mais matam”, afirmou o médico.

A programação realizada na unidade do CRF de Ananindeua faz parte da campanha Março Lilás, que terá outras ações nas unidades prisionais femininas do Pará, com o objetivo de levar informação e estimular as mulheres a se prevenirem contra o câncer de colo uterino, alertando para os principais sinais e sintomas da doença.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).