Detentas do CRF aprendem a preparar bolos tradicionais

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Mais de 30% da população carcerária paraense estão inseridos em atividades educacionais. Entre as detentas, 78,46% estudam. De janeiro a outubro deste ano, mais de 400 detentos foram certificados em cursos profissionalizantes.

Quinze internas custodiadas no Centro de Recuperação Feminino (CRF), localizado em Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), participaram do curso “Preparo de Bolos Tradicionais”, promovido pela Coordenaria de Educação Prisional (CEP), da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A capacitação faz parte das ações desenvolvidas pela Diretoria de Reinserção Social (DRS) da Susipe, com o objetivo de qualificar profissionalmente e gerar emprego e renda para as detentas, após o cumprimento de pena.

O curso teve carga horária de 20 horas. As detentas certificadas estão aptas a trabalhar no preparo de bolos e demais produtos de confeitaria. Durante as aulas, elas aprenderam a fazer os bolos mais tradicionais e vendáveis (de milho, macaxeira e chocolate), cupcake e bolos mais elaborados.

Pela terceira vez ministrando o curso em unidades prisionais do Estado, a instrutora do Senac, Raimunda Rodrigues, acredita que a capacitação oferece possibilidades de geração de renda para as detentas. “As meninas são muito participativas e interessadas. Algumas já gostavam de fazer bolo, e durante as aulas vão se antecipando no preparo, ansiosas para conferir os resultados. Pra mim é muito gratificante ministrar as aulas e poder ajudar essas mulheres a aprenderem um ofício que possa ajudar no seu sustento”, disse a instrutora.

Para as aulas, as internas ganharam livros de receitas e os ingredientes utilizados (ovos, margarina, trigo, açúcar e confeitos), fornecidos pelo Senac. As alunas foram divididas em grupos, e cada um realizou uma etapa. Ao final, todas se reuniram para a montagem e decoração.

Planos - Ediana Souza, 39 anos, que já havia participado do curso de Panificação, se destacou no preparo de bolos. Ela disse que pretende se especializar e trabalhar como cake design (decoradora de bolos). “Sempre tive vontade de aprender a confeitar bolos. Pretendo me especializar no futuro, e quem sabe poder trabalhar com a venda de bolos artísticos. Gosto muito de trabalhar na cozinha. Aqui já tive a oportunidade de fazer o curso de Panificação, e com mais esse curso eu já comecei a pensar em abrir o meu próprio negócio”, contou a interna.

Para a diretora do CRF, Carmen Botelho, os cursos realizados em parceria com o Senac são importantes na qualificação da mão de obra carcerária feminina para o mercado de trabalho. “O objetivo é que as detentas possam sair do presídio preparadas para começar uma nova vida. A capacitação das internas vai ao encontro de uma das principais metas da Susipe, que é assegurar a humanização e ressocialização na assistência a esse público”, afirmou.

Garçom - o Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), localizado no Complexo Penitenciário de Marituba (também na Região Metropolitana), o Senac realiza o curso “Técnicas Básicas para Garçom”, com um grupo de 15 internos, selecionados pela equipe multidisciplinar da unidade.

Nas aulas práticas, os detentos aprendem técnicas de serviço de garçom, montagem de mesa, preparo e serviço de bebidas, técnicas de etiqueta e noções de tratamento dos clientes. Com carga horária de 20 h, o curso será encerrado nesta sexta-feira (30). As aulas são ministradas pelo instrutor e técnico do Senac, Ronildo Palheta, que define o curso como “uma preparação bem qualificada para os alunos. Esses homens estarão preparados para o mercado de trabalho, e com vaga garantida, pois a mão de obra para este tipo de atividade não é tão qualificada, e a procura por estes profissionais no mercado é grande”.

Para o interno Fábio Lima, 23 anos, o curso está sendo uma oportunidade. Ele já trabalhou como garçom, mas não tinha noções técnicas da função. “Comecei a trabalhar como garçom quando tinha 14 anos, mas não tinha muito trato no serviço. Agora, com essa oportunidade, vou me sentir mais seguro para ir em busca dessa oportunidade de trabalho quando sair daqui”, disse Fábio Lima.

Mais de 30% da população carcerária paraense estão inseridos em atividades educacionais. Entre as detentas, 78,46% estudam. De janeiro a outubro deste ano, mais de 400 detentos foram certificados em cursos profissionalizantes, realizados em parceria com Senac, Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e Senai ( Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).