Detentos são certificados em curso de música pela Fundação Cultural do Pará

Versão para impressãoEnviar por e-mailVersão em PDF
O curso iniciado no mês de abril teve duração de três meses. A expectativa é de que o projeto tenha uma nova edição no segundo semestre, para garantir oportunidade aos detentos que queiram participar dos cursos de formação e que desejem remir suas penas.

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), em parceria com a Fundação Cultural do Pará (FCP), certificou nesta quinta-feira (28), 40 internos da Central de Triagem Metropolitana III (CTM III), que participaram de um curso de música, através do Projeto "Sala de Cordas", com aulas de violão e canto para remição de pena através da música.

O curso iniciado no mês de abril teve duração de três meses. A expectativa é de que o projeto tenha uma nova edição no segundo semestre, para garantir oportunidade aos detentos que queiram participar dos cursos de formação e que desejem remir suas penas. Para participar das aulas os internos passam por uma avaliação psicossocial.

“Buscamos a parceria com a Fundação Cultural do Pará para promover o curso aos internos da unidade prisional que ainda não tinham vivenciado esse tipo de formação. A música também é um meio de reintegra-los a sociedade e o resultado do curso foi muito positivo. Foi gratificante ver a evolução deles”, conta Suely Carvalho, coordenadora pedagógica da unidade.

Durante as aulas, ministradas pelo professor de música Márcio Farias, os internos aprenderam sobre melodia, harmonia e compasso. A formação contou com as etapas desde o básico até o avançado, de acordo com o desempenho de cada aluno. No total, foram disponibilizados 20 violões aos internos, sendo estes, cedidos pelo próprio projeto para a unidade prisional.

“Essa turma foi excelente eles me surpreenderam bastante, pois alguns mostraram habilidade, tanto com o canto quanto com o violão. Se alguns desses alunos tiverem a oportunidade de aprimorar o talento e se dedicar a continuidade de tocar o instrumento eles irão conseguir se desenvolver ainda mais”, avalia o professor.

O interno Antônio Carlos Pereira, de 38 anos, que nunca teve contato com instrumentos musicais, foi um dos que mais chamou a atenção na turma, pela evolução no aprendizado. “Quando soube do curso tive muita curiosidade em aprender, pois a música sempre fez parte da minha vida. No inicio foi bem difícil, mas com o tempo e força de vontade eu fui superando as dificuldades, até que um dia eu conseguir tocar uma música por completo”, comemora.

Já para o interno Eluarde Correa, de 34 anos, a música faz parte da sua história desde a adolescência, quando sozinho aprendeu a tocar algumas notas no violão. Para ele a oportunidade de aprender música pode se tornar profissão quando sair do cárcere.

“Quando mais jovem participava de grupos com violão. O que eu sabia havia aprendido sozinho apenas observando o que os outros faziam. Essa oportunidade que a casa penal está me dando me deixa muito satisfeito e empolgado, pois sei que se me dedicar mais eu vou conseguir avançar e tocar ainda melhor”, afirma.

Por meio da música os internos desenvolvem a criatividade, concentração e o processo ainda ajuda no resgate da autoestima deles. Além de proporcionar, por meio da educação, a possibilidade de remissão de pena como prevista pela Lei de Execução Penal que estabelece que a cada três dias de trabalho ou 12 horas de estudo, o preso remi um dia de sua pena.

“Procuramos sempre trazer cursos e atividades para estes presos, pois pra eles é muito importante, não somente pela questão da remissão de pena, mas, sobretudo, por uma forma de envolvê-los no processo de ressocialização. Nossa unidade atende presos que se encontram em regime fechado e mantê-los ocupados é uma forma de auxilia-los neste processo. Buscamos conscientiza-los de que isso é para o próprio bem deles e que lá na frente poderão reintegrar a sociedade de uma forma melhor”, conclui o diretor da CTM III, Sidney Queiroz.

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).