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Fé e devoção que ultrapassam limites do cárcere

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Dentro do presídio, o detento Edi Miranda Dias(E), 53 anos, relembra os momentos em que participou da festa religiosa, e conta que já foi agraciado com um milagre.

“Eu ainda espero o momento em que irei ficar do lado de Nossa Senhora de Nazaré novamente. Eu a acompanhei boa parte da minha vida a pedido da minha mãe. Hoje é uma das maiores tristezas da minha vida não estar vivenciando o Círio, e não poder estar do lado dela". O relato emocionado é do detento Marco Antônio Santos de Lima, 54 anos, custodiado na Central de Triagem Metropolitana II (CTM II), unidade da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe). Ele é devoto de Nossa Senhora de Nazaré há mais de 20 anos, período em que se tornou guarda da Imagem Peregrina durante o Círio, atendendo a um pedido de sua mãe.

"Acordava ainda de madrugada para acompanhar todo o percurso, participava de todas as romarias e ficava muito feliz com isso. Me fazia bem estar ali e eu ainda tinha oportunidade de ajudar os romeiros. Muitos caíam perto da gente e parávamos para ajudar, dar água e também incentivá-los a continuar a caminhada. Era um momento indescritível. Eu quero muito viver isso de novo", conta Marco Antônio, afirmando que seu maior sonho é voltar a participar das procissões do Círio, ao lado de Nossa Senhora.

“Aqui eu não deixo de rezar um só dia. Mas a minha alegria é estar lá perto dela. Esse é o meu maior desejo. Há quem diga que é muito cansativo, e realmente é. Nós acordamos praticamente na sexta e só vamos dormir no domingo, e tudo isso com muito café. Mas não há uma recompensa melhor do que fazer a guarda da mãe de Jesus”, diz ele.

A poucos dias da maior procissão católica do Brasil, o Círio de Nazaré, os devotos de Nossa Senhora se preparam para o momento da grande celebração.

Dentro do presídio, o detento Edi Miranda Dias, 53 anos, relembra os momentos em que participou da festa religiosa, e conta que já foi agraciado com um milagre. “Eu sou nascido e criado em família católica, e na maior parte da minha vida eu participei do Círio de Nazaré. Por várias vezes tive meus pedidos atendidos, e acredito que tudo o que acontece de bom em nossa vida é obra dela. Mas tem um especial que eu considero ter sido um milagre. Aos 10 anos, eu tive um problema de visão e deveria ser operado para não ficar cego. Os médicos, mesmo com a cirurgia, não garantiriam um resultado de 100%. Na época minha família orou muito e eu também, apesar da pouca idade, e graças a Nossa Senhora eu não precisei nem passar pela cirurgia e fiquei curado. Hoje eu enxergo perfeitamente. Isso eu considero o maior milagre na minha vida”, narra o detento.

Celebração de fé

Edi Miranda cumpre pena há 8 anos, no CTM II, e por ser devoto de Nossa Senhora de Nazaré começou um trabalho missionário no presídio, por meio da Pastoral Carcerária. “Aqui dentro precisamos ainda mais de Nossa Senhora para vencer as angústias, afastar maus pensamentos e poder suportar o peso de estar nesse ambiente. Quando entrei, ainda não havia um trabalho fixo voltado para Nossa Senhora. Era somente a visita da Pastoral Carcerária. Hoje, a direção da casa penal já nos concedeu um espaço para que possamos nos reunir e fazer nossa celebração de fé. Começamos timidamente, e hoje, somente no nosso bloco, já temos 20 pessoas que nos acompanham nas reuniões e despertaram para a fé, o que consideramos um bom resultado”, conta Edi Miranda.

A Pastoral Carcerária, vinculada à Arquidiocese de Belém, faz um trabalho de evangelização dentro das unidades prisionais da Susipe há 25 anos, promovendo encontros e leitura da Bíblia. Uma das novidades é a formação de ministros da palavra, que devem ser multiplicadores e integrantes da Pastoral Carcerária dentro da casa penal.

“Tudo o que eu peço para Nossa Senhora não é para mim, e sim para minha família, para eles ficarem bem e poderem viver segundo os mandamentos de Deus. Para mim, só peço força para conseguir pagar pelo meu erro e sair daqui uma pessoa melhor”, declara Edir Miranda Dias.

Para Mylene Fonseca, diretora do CTM II, todo o trabalho de assistência religiosa feito dentro do presídio é importante para ajudar os internos na passagem pela casa penal. “Normalmente, os detentos que participam das atividades religiosas têm um comportamento diferenciado dos demais, são mais calmos. Nós podemos dizer que a assistência religiosa vem como um bálsamo, que vai acalmando e confortando, e faz com que a passagem deles pelo cárcere seja mais tranquila. O primeiro contato dos internos quando entram no presídio é com outros presos que fazem o trabalho de evangelização. Então, isso é de fundamental importância para o bom comportamento deles aqui dentro”, conclui a diretora.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe)
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