Fundação Cultural do Pará e Susipe fecham parceria para projeto musical

Versão para impressãoEnviar por e-mailVersão em PDF
A Fundação Cultural do Pará doou 20 violões para que o curso pudesse ser ministrado dentro do presídio. O curso terá duração de três meses, com três horas de aulas, nas terças e quintas, divididas em dois turnos, com um professor de música da FCP.

O detento Gerson Teixeira, de 31 anos, sempre se interessou pela música, mas fora do presídio nunca teve oportunidade de fazer um curso de violão. “Eu não tinha condições de comprar um violão e nem de pagar um curso; tenho família para sustentar e as minhas prioridades eram outras. Nem imaginava que aqui dentro do presídio eu ia realizar meu sonho, estou muito feliz e pretendo me dedicar às aulas”, disse o interno. 

Gerson é um dos 40 detentos que vão participar do projeto “Sala de Cordas”, que começou nesta quarta-feira (4) na Central de Triagem Metropolitana III (CTM III), que fica dentro do Complexo Penitenciário de Santa Izabel. 

O projeto foi uma iniciativa da coordenadora pedagógica da unidade prisional, Suely Carvalho, que buscou, juntamente com a Coordenadoria de Educação Prisional da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), uma parceria com a Fundação Cultural do Pará. A FCP doou 20 violões para que o curso pudesse ser ministrado dentro do presídio. 

“Acredito que é uma conquista muito grande para a nossa unidade prisional, fruto de um trabalho feito em equipe. A música é algo que pode tornar este ambiente mais leve. O curso dará pra eles uma nova perspectiva, pois sempre é importante aprender algo novo. Têm pessoas aqui que nunca tiveram contato com um curso como esse, mas que são capazes de aprender e quem sabe descobrir um dom. E isso, com certeza, vai ajudar diretamente na ressocialização deles”, ponderou a coordenadora.

O curso terá duração de três meses, com três horas de aulas, nas terças e quintas, divididas em dois turnos, com um professor de música que já realizou o mesmo projeto no Hospital Geral Penitenciário (HGP), também em Santa Izabel. “Em 2015, tive o primeiro contato com os detentos e foi um projeto maravilhoso, porque via que eles se esforçavam e tinham muito interesse em aprender. Foi um sucesso e estou muito feliz de repetir esse curso aqui no CTM III. Eu sou apaixonado por música e fico muito feliz de passar o meu conhecimento para eles e usando a música como ferramenta de reinserção social”, destacou o professor Márcio Farias.

O detento Antenor Almeida, de 28 anos, nunca participou de um curso de música. O projeto é uma oportunidade de aprender algo novo.

“Todos os cursos que têm aqui dentro eu faço questão de participar, pois acredito que é dessa forma que eu vou mostrar que posso mudar. Lá fora minha vida nunca foi fácil, eu não tinha e nem ia atrás de oportunidades, foi preciso eu chegar até aqui para perceber o quanto isso é importante para o meu futuro e consequentemente para minha família. O que eu fizer de bom vai refletir neles e é só nisso que eu penso agora”, disse o detento.   

A defensora pública Eliana Vasconcelos acompanha os trabalhos educacionais feitos com os detentos. Ela esteve presente quando o projeto “Sala de cordas” foi realizado no HGP e diz que ficou impressionada com os resultados.

“Eu acompanhei o desenvolvimento desse curso no HGP e vi que os detentos se superaram, pois lá eles têm um comprometimento da saúde mental e mesmo assim conseguiram aprender. Ao final ainda montaram um coral e fizeram uma apresentação que ficou linda. A música servia para eles como uma terapia, para escoar os sentimentos e deixar fluir o que de bom há de vir”, ponderou a defensora.

Com o curso de violão, os detentos terão o benefício da remissão de pena. A Lei de Execução Penal prevê o acesso à educação por parte do sentenciado. De acordo com o art. 126, o condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena. A contagem de tempo será feita da seguinte forma: 01 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação profissional - divididas, no mínimo, em 03 (três) dias.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).