Horticultura é usada como terapia em unidade prisional | Superintendência do Sistema Penintenciário do Estado do Pará

Horticultura é usada como terapia em unidade prisional

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As atividades na horta iniciam logo cedo. Pela manhã, os internos desenvolvem atividades de capina, levantamento de leira, adubação e irrigação. Hoje na horta do hospital são produzidos cheiro verde, cebolinha, couve e feijão de metro.

Arar, capinar, plantar e cuidar da terra é uma das formas de tratamento e atividade terapêutica para sete internos custodiados no Hospital Geral Penitenciário (HGP), localizado no Complexo Penitenciário de Santa Izabel. A ação é realizada por meio do Projeto Nascente – Polo Agroindustrial, desenvolvido pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) que surgiu na Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel.

"Resolvemos retomar as atividades de cultivo e plantações dentro do HGP como terapia. Reunimos com a equipe de produção responsável pelo Projeto Nascente e aproveitamos o espaço que temos para estender o cultivo das hortas que são comercializadas nos feirões do Projeto, além disso, aproveitamos para oferecer para os nossos pacientes uma oportunidade de trabalho, pois sabemos o quanto é importante para estes internos uma atividade com cunho terapêutico que auxilie na sua recuperação, e ainda, proporcionar uma atividade onde possam aprender visando o resgate dessas pessoas e a reintegração delas na sociedade" relatou o diretor do HGP, Ércio Teixeira.

Para participar do projeto os internos passaram por uma seleção, na qual foi avaliado o perfil e condições psicológicas de cada um. Os pacientes precisam possuir aptidão para o trabalho, especialmente com o manejo e trato da terra, para serem incluídos no projeto.

O interno Alberto do Carmo, 34 anos, já faz a terapia há um mês e vê a oportunidade como uma forma de melhorar a qualidade de vida dentro do hospital. "Estar trabalhando com a terra me faz muito bem. Poder ver o que a gente planta crescendo e depois colher, faz com que eu me sinta tranquilo, é um momento de libertação mesmo estando aqui em um ambiente fechado", resaltou.

As atividades na horta iniciam logo cedo. Pela manhã, os internos desenvolvem atividades de capina, levantamento de leira, adubação e irrigação. Hoje na horta do hospital são produzidos cheiro verde, cebolinha, couve e feijão de metro. As hortaliças são cultivadas com adubo orgânico, livres de agrotóxicos e comercializados nas feiras da cidade. Hoje, o HGP já conta com 20 canteiros de horta e até o final do primeiro semestre a previsão é de também produzir frutas e plantas ornamentais.

Para o interno Heider Ferreira, 37 anos, essa é uma forma de aprendizado e que abre uma nova expectativa de vida. "A Susipe nos dá essa possibilidade de aprender uma profissão e que pode nos ajudar a ganhar o nosso próprio dinheiro. Eu nunca tinha trabalhado com plantio antes, mas estou gostando muito. O trabalho me deixa mais tranquilo", disse o interno.

A técnica agrícola Shirley Lopes é quem ajuda os internos no manejo e cultivo da terra, além de ensiná-los o correto trato com as sementes para que elas possam germinar de forma adequada. "Quando trouxemos uma parte do Projeto Nascente para o hospital fiquei um pouco receosa, pois não sabia como seria trabalhar com os pacientes daqui, mas para a minha surpresa eu pude ver que eles são muito esforçados e interessados em aprender, sem falar que podemos contar com eles para todo o tipo de trabalho", explicou.

O simples contato com a natureza pode trazer vários benefícios à saúde, dentre eles uma melhor qualidade de vida, bem-estar, redução do estresse e proporcionar um melhor equilíbrio interior para os detentos como terapia ocupacional.

"Essa expansão foi idealizada com o intuito de integrar os pacientes do HGP ao Projeto Nascente e possibilitar a esses internos, uma forma de terapia ocupacional para que possam melhorar a qualidade de vida deles, juntamente com o seu tratamento. Além do que, o espaço para o cultivo na área do hospital é melhor, pois a terra é boa para o plantio. Pretendemos no futuro ampliar a horta, que antes ficava exclusivamente na Colônia Penal, e criar um viveiro para produção de mudas que posteriormente serão comercializar nos mercados", finalizou o diretor de Reinserção Social da Susipe, Ivaldo Capeloni.

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).