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Projeto mostra importância social do incentivo à leitura para detentos

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Com base nas obras já lidas que compõem o acervo do Centro de Recuperação Penitenciário II, os detentos confeccionaram marcadores de livros, histórias em quadrinhos e pinturas em tela que foram expostos ao público para apreciação e venda.

As atividades desenvolvidas por internos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) estiveram expostas pelo segundo ano consecutivo na Mostra de Educação Prisional da Susipe, montada no estande da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), na Feira Pan-Amazônica do Livro, que segue até o domingo (04) no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.

O projeto "Remição de Pena pela Leitura: a Leitura que liberta" foi destaque na exposição. Com base nas obras já lidas que compõem o acervo do do Centro de Recuperação Penitenciário II (CRPP II), os detentos confeccionaram marcadores de livros, histórias em quadrinhos e pinturas em tela que foram expostos ao público para apreciação e venda.

Por meio do projeto "Remição de Pena pela Leitura: a Leitura que liberta", os internos têm até 45 dias para ler uma obra literária e apresentar um relatório, para aqueles que possuem até o Ensino Médio completo, ou uma resenha, para os que têm nível superior. A cada obra lida e relatório/resenha entregue são remidos quatro dias da pena, conforme determina a Lei de Execução Penal. Porém, o trabalho desenvolvido dentro do CRPP II vai bem além da leitura e escrita, como explica a professora e orientadora da Seduc que atua dentro da unidade, Andréa Pastana.

"Nós conseguimos fazer com que o projeto fosse além do gênero textual. Conseguimos explorar a arte, o desenho, a poesia, que fluem e trazem como resultados uma evolução não apenas no vocabulário, mas na forma de pensar a vida, e que acabam contagiando os outros internos a também praticar a leitura e participar das atividades”, afirmou.

Segundo levantamento da Coordenadoria de Educação Prisional da Susipe, em um ano e dez meses do projeto mais de 200 obras já foram lidas e 116 internos já foram beneficiados com a remissão de pena. Os que já estão em liberdade e não reincidiram no crime, sendo que três, inclusive, conquistaram uma vaga no Ensino Superior. 

Atualmente, além do CRPP II as ações do projeto de remição de pena pela leitura são desenvolvidas no Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua (CRF), na Colônia Penal Agrícola de Santa Isabel (CPASI), no Centro de Recuperação Anastácio das Neves (CRCAN), no Centro de Recuperação Regional de Castanhal (CRCAST), totalizando 79 participantes assíduos. Além da leitura, os custodiados são contemplados com videoaulas e palestras sobre o tema escolhido para o semestre.

Luiz Gustavo do Nascimento, 27 anos, conheceu o projeto quando era custodiado no CRPP II e mesmo quando progrediu para o regime semiaberto não deixou o para trás a prática da leitura. Em 2016, ele prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para Pessoas Privadas de Liberdade e alcançou 840 pontos na redação. Para ele, ter participado do projeto de leitura foi o motivo que o fez garantir uma vaga no bacharelado em Geografia do Instituto Federal do Pará (IFPA).

“Eu já tinha prestado vestibular outras vezes, mas nunca passou pela minha cabeça que chegaria a ter uma nota como esta. Eu, inclusive, já tinha zerado uma redação. Apesar do pouco tempo que tive para estudar, por ter participado do projeto e lido sobre muitas coisas, tive facilidade na leitura e interpretação do texto, o que é muito importante para a prova do Enem. Eu devo à leitura e ao projeto a oportunidade de cursar o Ensino Superior”, declarou.

A estudante Elane Gomes visitou o estande da Seduc na Feira e se interessou em conhecer mais sobre o projeto de leitura no cárcere. “Todo esse trabalho é fundamental para que eles se sintam capazes e produtivos, além de facilitar a reinserção na sociedade. É importante também por mostrar a eles que existem outros caminhos a se trilhar e que é possível pensar num futuro diferente após a prisão”, disse.

Na mostra também foi lançado o jornal “Os canários”, que reúne crônicas, relatos, curiosidades e poesias, entre outros assuntos trabalhados dentro das unidades prisionais que desenvolvem o projeto. Para a coordenadora de Educação Prisional da Susipe, Aline Mesquita, a mostra representa e valoriza o que de melhor é produzido na área educacional dentro do cárcere. 

“Trouxemos para cá uma mostra do que eles produzem mesmo estando privados de liberdade. Além de mostrar as potencialidades dos detentos isso representa também a valorização de cada professor, instrutor e agente penitenciário que participa desse processo de ressocialização pela educação”, informou.

No espaço reservado para a mostra, no estande da Seduc, também foi exibido ao público um vídeo sobre o trabalho desenvolvido em outras casas penais que participam do projeto. “Tudo o que troxemos para expor aqui é fruto de um trabalho que só demonstra o quanto o projeto está progredindo. Isso nos faz acreditar que a leitura é um bom caminho para a reintegração”, concluiu a defensora pública estadual que apoia o projeto, Anna Izabel Santos.

Por Aline Saavedra | Foto: Fernando Nobre (Ascom/ Seduc)
Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará

 

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