Propaz e Susipe realizam ação com detentos em escola pública de Belém

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Além da prestação de serviços, os detentos participam voluntariamente do “Papo di Rocha”, uma roda de conversa com alunos a partir de relatos dos detentos sobre o dia-a-dia na prisão e as consequências da entrada no mundo do crime.

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) e a Fundação Pro Paz, através de uma parceria, realizam o Projeto Conquistando a Liberdade na Escola Estadual de Ensino Médio e Fundamental Eunice Weaver, no bairro da Pratinha, em Belém, com o objetivo de reintegrar socialmente a pessoa encarcerada, por meio da prestação de serviços à sociedade de maneira voluntária.

No total, oito presos do regime semiaberto, custodiados na Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI) estão trabalhando na instituição de ensino na revitalização e limpeza do espaço com serviços de capina, roçagem, poda de árvore e pequenos reparos no prédio.

O detento Manoel Tavares, de 42 anos, participa do projeto desde 2016. Para ele, o Conquistando a Liberdade foi um incentivo pra mudar de vida e recomeçar. “Quando entramos no presídio é que sentimos o peso do erro que cometemos. Foi através desse projeto que eu consegui me levantar, comecei a fazer os serviços nos locais onde são solicitados, fui ocupando o meu tempo e vendo que é somente através do trabalho que eu vou conseguir fazer uma nova história”, disse o detento.

Além da prestação de serviços, os detentos participam voluntariamente do “Papo di Rocha”, uma roda de conversa com alunos a partir de relatos dos detentos sobre o dia-a-dia na prisão e as consequências da entrada no mundo do crime. A ação educativa é de prevenção e leva os adolescentes a refletir sobre o envolvimento com as drogas e a criminalidade.

Para o coordenador do projeto, Ércio Teixeira, o Conquistando a Liberdade ajuda na construção de uma sociedade melhor. “Trabalhamos para que a ressocialização realmente aconteça com essas pessoas e elas estejam preparadas para voltar ao convívio da sociedade. O Conquistando a Liberdade encontrou no trabalho voluntário formas de estimular as pessoas privadas de liberdade a terem uma ocupação, buscando um futuro com dignidade e ao mesmo tempo alertando os jovens, que estão vivendo uma fase de escolhas, para não entrar no mundo do crime”, destacou o coordenador.  

A escola estadual Eunice Weaver tem atualmente 1.572 alunos, com idades entre 15 e 18 anos. Para a diretora da instituição, Keit Santos, a iniciativa do projeto é positiva, principalmente pelo fato da maioria dos estudantes morarem em uma área de vulnerabilidade social.

“Já recebemos esse projeto há 2 anos aqui na escola e esta é a segunda vez que a ação é realizada. A escola sempre estará de portas abertas para iniciativas como essa, que contribuem com o trabalho social e ao mesmo tempo colaborem para prevenir o envolvimento dos nossos alunos com o mundo do crime. No sábado (10), teremos uma grande ação de cidadania realizada pelo Pro Paz e os detentos também estão contribuindo para que o espaço esteja pronto para receber a população. Iremos oferecer serviços de saúde, além da emissão de documentos, como carteira de trabalho, certidão e identidade; atendimento jurídico e ainda serviços de beleza”, destacou a diretora.

Para a presidente da Fundação Pro Paz, Mônica Altman, a parceria com a Susipe visa além da contribuição na limpeza e reparos nas escolas, uma efetiva ação de prevenção e combate à criminalidade.

"A parceria da Fundação Pro Paz com a Susipe vem desde 2011. O Conquistando a Liberdade está muito alinhado a valorização da cultura de paz, pois além de os detentos realizarem os serviços de limpeza e campina na escola, o projeto atende também a demanda da ação da Caravana da Cidadania, prestando um serviço também à comunidade. O Papo di Rocha, onde os detentos relatam as suas experiências de vida e levam os estudantes a refletirem sobre o mundo do crime é uma excelente proposta de prevenção e combate à criminalidade", ressaltou a presidente da Fundação Pro Paz, Mônica Altman.

Em 2017, o Conquistando a Liberdade realizou 85 edições do projeto em 25 municípios do Pará. Em 2018, 20 ações já foram realizadas, sendo sete somente em Belém.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).