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Servidores penitenciários da Susipe têm curso sobre autoconhecimento

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O curso utiliza as técnicas do pathwork, que significa em português “trabalho do caminho” e que propõe a descoberta do autoconhecimento e da “Constelação Familiar".

Um processo de aprendizagem que nos convida a reconhecer como afetamos e somos afetados pelo meio social em que vivemos. Esse é o objetivo do curso “Movimentos Essenciais”, ofertado pela Escola de Administração Penitenciária (EAP), da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe). Cerca de 30 servidores do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, participaram na última quarta-feira (14) da atividade, coordenada por Cláudia Boatti, que é professora do Centro Latinoamericano de Constelações Familiares da Argentina.

Segundo Cláudia, o curso utiliza as técnicas do pathwork, que significa em português “trabalho do caminho” e que propõe a descoberta do autoconhecimento e da “Constelação Familiar”, um método psicoterapêutico recente, com abordagem sistêmica não empirista, desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger. O curso busca enriquecer o indivíduo, trazendo ordem e harmonia à vida familiar ou profissional, para que cada pessoa reconheça a força interior que possui e, assim, desenvolva o seu potencial de liderança.

“As pessoas vão aprender a se reconhecer e verificar o que pode estar bloqueando-as no dia a dia. Durante o curso são trazidos ensinamentos e feitas as constelações, possibilitando um olhar ampliado com maior entendimento sobre nossas vidas e uma nova forma de encarar as situações difíceis de nossa realidade cotidiana”, destacou a professora.

Sidcléia Tavares trabalha há 15 anos no sistema carcerário como agente prisional do CRF. Para ela o curso vai trazer um novo olhar sobre o trabalho e a vida pessoal. "O curso é de grande valia e acredito que pode mudar minhas atitudes não só no trabalho, mas também na minha vida familiar e com amigos. É muito importante olharmos para o outro sem julgar, sem colocar as nossas expectativas, e dentro do presídio muitas pessoas criam esses muros entre servidores e presos. Em vez disso, a partir de agora vamos poder criar pontes e ajudá-las da melhor forma", destacou a servidora. 

Para Carmem Botelho, diretora do CRF, o curso é uma forma de reconhecer problemas enfrentados no dia-a-dia e buscar soluções para os desafios de convívio no sistema carcerário. "Esse curso ajuda no autoconhecimento, provoca mudanças em nós mesmos e contribui para melhorar o ambiente coletivo. Aprendemos a nos equilibrar e nos reconhecer como agentes de problemas e também de soluções. Nossa meta é oferecer esse curso para todos os servidores da Susipe", avaliou a diretora. 

A psicóloga do CRF, Margareth Correa, diz que o curso é uma experiência de vida e vem trazer algo novo para todos os que estão participando. “Essa é uma oportunidade de crescimento amplo, que repercute dentro e fora de cada um de nós. Quando a gente se permite outras formas de percepção, conseguimos olhar o outro com o coração. O cárcere reflete uma sociedade e é preciso olhar para esse processo de forma ampla. Nós temos o impulso de diminuir o outro e nos colocar acima das pessoas. Aqui nós estamos tendo oportunidade de mudar essa realidade. Olhamos para o outro e vemos que ele é tão necessário quanto nós", pontuou a psicóloga. 

Andrea Melo Pontes é pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e há um ano trabalha o pathwork com um grupo de detentas no CRF. "A experiência com elas é a mesma que estamos vendo no curso para os servidores. Cada um delas tem uma história de vida que as levou à situação em que estão hoje. Elas sabem que caminhos querem seguir e também que não são pessoas melhores nem piores do que ninguém. Elas têm sentimentos, como todo mundo, mas muitas vezes são olhadas com preconceito. A minha experiência com elas é muito mais de aprendizado, porque procuro me colocar no lugar delas, para que eu possa me fortalecer e também a elas", diz a pesquisadora. 

Cláudia Boatti explica que esse trabalho de "movimentos essenciais" já é realizado em presídios, hospitais e até em tribos indígenas, tanto no Brasil quanto na Argentina. "Já trabalhei na cidade de Florianópolis com pessoas enfermas e em outro presídio feminino na cidade de São Paulo. Os movimentos essenciais propõem nos relacionarmos com a vida de uma forma diferente, olhando para a benignidade da vida, nos dando conta que tudo que ela nos traz é para nosso crescimento. Tudo que vivemos são compensações de desordem do passado. Oprimidos não são sujeitos a serem resgatados, eles mesmos tem que se resgatar", conclui.

Por Giullianne Dias | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe)
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