Susipe pretende erradicar analfabetismo na população carcerária até 2022

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Atualmente, 4,69% dos presos custodiados no Estado ainda é analfabeta. Em 2016, o índice era de 5,43%. O estudo aponta uma sensível queda na taxa de analfabetismo da população carcerária. A meta é erradicar o analfabetismo nas prisões do Pará, até 2022.

A erradicação do analfabetismo nos presídios do Pará é uma das metas de gestão da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), que por meio da sua Diretoria de Reinserção Social, realizou na manhã da última quinta-feira (22), a cerimônia de entrega do certificado de alfabetização à 32 internos custodiados no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC).

A certificação foi garantida através de dois projetos: “O Tempo de Ler”, que em parceria com o Instituto Brasileiro de Educação e Meio Ambiente (IBRAEMA) oferece alfabetização para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) e o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), projeto do Governo Federal executado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que já garantiu o direito de aprender a ler e escrever a mais de 340 reeducandos em 14 unidades prisionais de todo o Estado.

“Contamos com ajuda de dois projetos parceiros no processo de alfabetização para os internos, um deles é o IBRAEMA onde usamos para a formação dos alunos, facilitadores que são os internos que já possuem o domínio com as letras e a escrita, além do ensino médio completo, e através do Programa Brasil Alfabetizado (PBA), onde a Seduc nos oferece os professores para as aulas e as vagas ofertada pelo programa para alfabetização das Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) ”, explica a gerente de ensino acadêmico da Susipe, Guilhermina Castro.

Nascido no interior de Boa Vista (RR), o interno Alberto da Silva, 45, cumpre pena há três anos no sistema penal do Pará e relatou com emoção a tão sonhada oportunidade de poder aprender a escrever seu nome e as mensagens que desejava enviar para a sua família.

“Meu pai interrompeu meus estudos quando tinha nove anos e não tinha muita habilidade para escrever. Foi durante os cultos que participava dentro do cárcere que um professor resolveu acreditar no meu potencial e me incentivou a voltar a estudar. Hoje sou muito grato a toda a equipe de profissionais envolvidos aqui dentro da unidade que me ajudaram a obter essa conquista”, relatou o interno.

Para a coordenadora educacional do CRC, Lindomar Carvalho, a certificação dos internos é fruto de um trabalho intensivo para erradicar o analfabetismo dentro dos presídios.

“É muito gratificante para qualquer educador ver o fruto do seu trabalho ser bem-sucedido. O mais bonito nisso tudo é ver essa semente plantada nestes homens que ultrapassam a barreira do analfabetismo e passam a ter vontade de ampliar seus estudos. Daqui seguem para as demais formações educacionais até a conclusão do ensino médio”, avalia.

Um dos facilitadores que participa do processo de alfabetização dos presos é o detento Regicleison Costa, 35, que é aluno do terceiro semestre de pedagogia. A vaga foi conquistada através do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privada de Liberdade (ENEM/PPL).

“É uma honra participar desta formação, pois são poucas as pessoas que se importam com o outro, especialmente quando este se encontra em uma situação como a nossa.  Aqui dentro é cada um por si e Deus por todos. Eu sou grato pela oportunidade que me deram em poder compensar as minhas falhas ajudando eles na compreensão da linguística e da inserção na leitura. Costumo dizer que agora eles são ‘livres’, pois quem não sabe ler fica dependendo das pessoas e poder ter essa liberdade de interpretar e escrever faz com que eles se sintam melhores”, disse o interno.

A coordenadora Estadual da Educação de Jovens e Adultos da Seduc, Núncia Azevedo, destaca a importância da alfabetização para as pessoas privadas de liberdade e a participação do Governo nesta formação.

“A secretaria vem aderindo o Projeto Brasil Alfabetizado desde 2007 e a partir de então vem desenvolvendo esse processo a públicos prioritários que alcança, não apenas, as pessoas privadas de liberdade, mas também indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pessoas do campo. O projeto atende a todas as pessoas que não tiveram a oportunidade de estarem na escola no tempo certo. A nossa expectativa é a de poder levar as pessoas que estão encarceradas, o processo de alfabetização, pois ainda é possível identificar pessoas analfabetas dentro dos presídios. Nosso trabalho é de dar condições cognitivas para que eles possam avançar nos estudos e poder alcançar outros níveis de escolaridade para que no futuro possam ser inseridos no ensino regular e assim ampliar a oferta de educação para atender essa demanda do Programa Brasil Alfabetizado”, explica.

Segundo o último levantamento realizado pela Susipe, em outubro deste ano, mais de 30% da população carcerária do Pará está envolvida em algum tipo de atividade educacional no cárcere. A taxa está acima da média nacional que é de 12%. Atualmente, 4,69% dos presos custodiados pelo Estado ainda é analfabeta. Em 2016, o índice era de 5,43%. O estudo aponta uma sensível queda na taxa de analfabetismo da população carcerária. A meta é erradicar o analfabetismo nas prisões do Pará, até 2022.

Programa Brasil Alfabetizado (PBA) - Desde 2007, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos foi aderido dentro do sistema penitenciário paraense. O programa é uma porta de acesso à cidadania e do despertar pela elevação da escolaridade. O objetivo do Programa é promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos e contribuir para a universalização do ensino fundamental no Brasil. Sua concepção reconhece a educação como direito humano e a oferta pública da alfabetização como porta de entrada para a educação e a escolarização das pessoas ao longo de toda a vida.

Projeto Tempo de Ler - O “Tempo de Ler” iniciou nos presidios do Pará, em maio de 2016, com duas turmas no Centro de Recuperação Feminino (CRF), localizado em Ananindeua. Hoje, o projeto já acontece em outras 14 unidades prisionais do estado. Em 2018, mais de 120 internos já foram alfabetizados graças ao projeto.

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).